sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Eu acredito....

Por que a cada dia que passa conversamos com as pessoas e sempre que perguntamos sobre o amor , as primeiras respostas são sobre o amor idealizado, aquele mesmo do príncipe encantado, não o do cavalo branco , mas do sujeito bem de vida , que tem o carro do ano, casa própria, um trabalho incrível, que sempre está paciente a ouvir suas reclamações , mesmo que seja da unha que quebrou , o sujeito que bebe com moderação, prefere tomar um vinho com você do que assistir a final do campeonato brasileiro, tomando cerveja com os amigos e que não ronca. Ou da mulher dos sonhos que depois de trabalhar o dia inteiro, faz o dever de casa com os filhos , verifica se a empregada fez sempre o prato preferido do parceiro, é sempre polida , educada , nunca altera a voz, finge que não vê a hora que você chegou do chope com os amigos, gosta da sua mãe, não reclama da tampa do sanitário aberta, nunca fica em casa de chinela havaiana , mas sempre está vestida como o dia do primeiro encontro, cheirosa, perfumada , com o cabelo penteado e só falta acordar como as mocinhas de novela, sempre maquiadas e dá um beijo com gosto de hortelã , porque ela não tem mau hálito matinal.
Ou outras se mostram totalmente descrentes a tal sentimento e falam que o amor só acontece nas novelas , nos filmes , principalmente nas comédias românticas onde sempre tudo acaba bem, com um final feliz para todos os pares românticos do enredo. Por que, na vida real foram traídas ou tiveram decepções amorosas, impossíveis de serem perdoadas, mas nunca esquecidas. Vestem-se como cavaleiros medievais , com armaduras espadas, capacetes ou trancafiam-se em mundos particulares, onde criam obstáculos pequenos, como montar um apartamento com outro , se já tenho o meu próprio montado e a geladeira de aço escovado que anos juntei dinheiro para comprar e ele/ela tem uma igual quem vai dar a sua , quem vai vendê-la. Detalhes que são criados como uma redoma, para nunca sair da sua própria “bolha”, esquecendo-se que o juntando esforços o sofá velho dele que você não pode ser dado para o porteiro que acabou de casar e a poltrona de assistir televisão , com muito boa vontade cabe no canto da sala ou quem sabe uma pequena reforma, ela fica mais estilosa.
Não se pensa mais na companhia de chegar em casa e ter com quem conversar, sair para tomar um drinque com os amigos, no colo gostoso depois de um dia de trabalho , o olhar cúmplice de quem está acompanhando a tua subida e te ajudando na tua derrota.
O parceiro ou parceira que um dia acorda de mau humor e não quer te dar bom dia, e que fica irritado quando você quer lê um livro sossegado no canto da sala e outro começa a te fazer perguntas a s vezes as mais absurdas de dez em dez minutos. De alguém que se irrita com a tua bagunça que para você não existe pois você sabe em que lugar está cada documento dentro de um emaranhado de papel, mas que mesmo assim vai lá e arruma do jeito que quer e você não acha a conta que estava separada para pagar no dia seguinte . Que reclama sempre que não gostou de alguma coisa ou que não gosta do comportamento de algum amigo seu. Que implica com a tua roupa , com a tua passividade, com a tua extravagância, com teu arrojo , com o som da tua gargalhada, mas que ri com você do escorregão que você teve no banheiro. E que brinda com você a promoção recebida e que se emociona com você do nascimento do primeiro filho.
Por que não acreditar no amor? No amor real, que também tem rotina, que é desgastante , que tem ciúme, tem raiva, tem mágoa, mas tem parceria, cumplicidade e intimidade.
Eu acredito no amor, por que o amor , mobiliza , modifica, faz que você seja mais tolerante , generoso, atencioso. Não estou falando só do amor entre homem e mulher mas do amor que sentimos pelos nossos pais, pelos nossos filhos , pelos nossos irmãos , pelos meus amigos.
Nem tudo é mentira.

Um comentário:

  1. Meninos eu li, gostei do que li. Está cronica é o cotidiano do bom carioca, que gosta das coisas simples e rodeadas de amigos. Sujeitos a frustrações, a tombos, como todos nós. "Eu acredito" na realidade é tudo verdade, o que é mentira e o lado que o leitor não viveu.

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